terça-feira, 30 de março de 2010

Lua traiçoeira

Lua sorridente e traiçoeira,
Que iluminas com tua luz
As noites quentes de  Verão.
Lua inimiga dos amantes,
Que na noite procuram
Um canto para se amarem
De alma e coração.

No silêncio da noite
Uma música enche o ar
Transmitindo mensagens de amor.
Os corpos se unem
Numa loucura destruidora.

A madrugada risca o céu.
Aqueles corações afundam-se na tristeza.
O doce aroma do amor
Depressa se desvanece.

Mentes traiçoeiras,
Corpos doridos,
Rostos contemplativos
De lágrimas silenciosas.

Naquela madrugada,
A despedida deixa um amargo sabor...
É o fim da sua história de amor.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Terra abençoada

Longos cafezais
De encantadora paisagem,
Paisagens grandiosas
De tórridos e abafadiços raios solares.

Terra de embondeiros magestosos
Com sombras reconfortantes.
Caminhos de terra vermelha.

Território de uma grande beleza
Beleza lendária e extraordinária
È a planície Africana,
Um autêntico paraíso
Uma terra abençoada.

Ali, tão intensos foram os tempos,
Tempos de amores e desamores
De euforia e desânimo.
Tudo o que resta são memórias,
Memórias felizes do tempo passado.

sábado, 20 de março de 2010

Doces memórias

Tenho escrito no coração
As palavras de paixão
Que ao ouvido me dizias.
Palavras que suavam como uma doce melodia.
São as doces memórias
De um passado já distante.

Teus lábios frescos macios,
De sorriso provocador.
Teus olhos fascinantes
Espelhavam o amor.

Hoje,os cabelos raiados de fios de neve
São a prova inequívoca
Que o tempo passou.

Resta a recordação,
Que nada foi em vão,
Mas  que tudo se modificou.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Velho solitário

Sombra errante
De olhos cansados,
Assim és tu velho solitário
Cuja vida se evapora
Das tuas mãos secas e enrugadas.

O sol que desperta teu sono,
E o mar ao longe
No seu perpétuo movimento
Como quem chama por ti.

E tu sombra errante,
De corpo curvado
Pelo peso dos anos,
Vais andando como as ondas
Num vaivém desenfreado.

Sem rumo e sem norte,
Vais tu velho solitário
À procura do nada.
Do nada se compõe tua vida
Sombra errante.

terça-feira, 16 de março de 2010

Verdes colinas

As árvores oscilam abanadas pelo vento
Vento forte do Norte.
Nuvens de tinta escurecem o céu,
Céu rasgado por um relâmpago.
Vem à mente o passado irrecuperável.
São memórias de ontem.

Coração pesado.
As lágrimas lutam para não caírem.
Recordo a extensão infínita de cafezal
E as verdes colinas onde o sol batia
Raiando-as com seus dourados fios.

Encantadora beleza
Que meus olhos contemplavam.
Hoje,os olhos já cansados
E o coração dorido de saudade
Do feitiço daquela terra amada.

domingo, 14 de março de 2010

Lágrimas de saudade

Mar.
Tão profundas são tuas águas
Como profunda é minha saudade,
Leva-me nas tuas ondas
Para lá do horizonte.

Procuro com meu olhar
O barco que me vai levar.
É entardecer,
Tinha a praia só para mim.

As ondas batem,
Batem lentamente na areia.
O vento soprando o meu cabelo
E eu,semi congelada e desgrenhada
Limpo uma lágrima marota,
Lágrima de saudade,
Saudade de ti
Angola amada.

sábado, 13 de março de 2010

Manta de retalhos

A vida é como uma manta de retalhos
Feita de muitos bocados
Todos eles de várias cores.
Mas nem sempre o que se vê
É aquilo que se prevê
Que perdure por muito tempo.

Um dia....
Aquela linda manta
Outrora tão vistosa
Se transforma em frangalhos.
Assim é esta vida.
Por todos os seus atalhos
Muitos são os trabalhos
Daqueles que a percorrem.

Alguns se vão perdendo,
E nunca conhecendo
O lado belo que ela tem.
Com muito sofrimento
E sempre com o sentimento
Que de bom a vida nada tem.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Lágrimas escondidas

Olhos perdidos num mar sem regresso
És a imagem do silêncio
De um navegar sem destino.
Mar,
Monstro adormecido
De belo cenário panorâmico.

Num silêncio contemplador
Recorda o céu africano.
À sombra da mulembeira centenária
O batuque se ouvia.

Paraíso de infância perdida,
Mar de lágrimas escondidas.
Dor devastadora
Que traz à mente memórias
Memórias de uma vida.

São fantasmas do passado,
De futuro perdido.
Perdido para sempre.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Menino negro

Menino negro
De calção roto
E nariz pingando,
Atrás do arco tu corres
Com o pressentimento institivo
Que para além daquele morro
Estará alguém para te oferecer protecção.

Do futuro nada de bom esperas.
O cheiro da terra molhada
E o eco da tempestade
Bem presentes estão em ti.

Corre,corre,menino negro
De olhar perdido no horizonte.
Nesse dia pardacento
O vento numa carícia magoada
Afaga teu rosto,
E tu,menino negro
Levantas tua suja mãozinha
Limpas a lágrima que cai
Porque para além daquele morro
Reina apenas o vazio.

Corre,corre,menino negro
Sê forte e determinado.
Exorcisa a solidão.
Teu país em crescimento
Em breve te dará a mão