domingo, 9 de outubro de 2016

SÃO IMAGENS

Queria como os pássaros
Ter asas e voar
E levar meus sonhos
Ao sabor do vento.

Ao dobrar a cada esquina
Eu, mulher, vejo-me menina.
Acordo para a realidade.
Foi miragem,
Foi ilusão,
E a esperança ficou perdida.

Nestes caminhos cruzados
Onde tudo é esperado,
As palavras vão-se perdendo.
É o viver sem sentido.
É o medo sufocado.

Nos meus silêncios
Subsiste a lembrança
Pura e doce daquele olhar.
São imagens traçadas na minha memória.
Acordo,
E a mesma realidade nua e crua
O meu sonho vem toldar.
OS ESPELHOS
Os espelhos reflectem
Tudo o que não quero ver
À luz dos meus olhos.
No silêncio,um desejo,
Ver florir os campos
Com o verde da esperança.

Regresso a casa taciturna.
É urgente que haja alegria.
Que se recrie o amor
E os silêncios se esfumem,
E que a porta se abra
Para o lindo sol entrar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Mãe Negra


Mãe negra,
Mãe guerreira.
Dentro do teu peito
Vibra um coração cheio de esperança,
Esperança de um amanhã melhor.
Talvez amanhã,
Venha a liberdade tão desejada.

À sombra da mulembeira
Ouves o rugido do mar,
O belo mar que te sustenta
E que tão cruel sabe ser.

Antes de partires
Enches os olhos do vermelho do teu chão.
Deixas voar o sonho,
O sonho de um País livre
Com a mesma igualdade.

É preciso tempo,
O tempo que já não tens.
És uma mãe guerreira
De coração puro,sem ódios e amarguras.
Tens as mãos calejadas
Pela luta árdua que travas.
És,
Mãe negra
Mãe guerreira.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016


Inocência no acreditar

Inocência é sempre acreditar
Que o amanhã será melhor.
Quando penso no tempo que passa
E nas folhas de Outono caídas no chão,
À minha alma chega o desalento.
A vida, esta vida
Se esfuma como o vento,
E à memória do meu coração
Chegam os sonhos de uma vida.

O mundo.....
Este mundo em que vivemos
De falsidade tamanha
Faz esquecer o que somos.
Nada mais herdamos
Do que uma vida sem sentido.
Entre o pensar e o sentir
Estendo minha mão
E apanho o nada.